“A tua voz: "se
um dia deixarmos de ser ridículos chegou a hora de nos separarmos". E
depois o teu toque. O teu cheiro, o teu suor, a absurda certeza de que o tempo
só conta quando é tempo da tua pele. E novamente a tua voz: "se um dia o
nosso amor fizer sentido estarmos juntos não tem qualquer sentido". E
depois o abraço - aquele que nem as lágrimas conseguem calar. Passar a língua
por cada gota de prazer e saber que é aquilo, apenas aquilo, que faz sentido.
As tuas pernas trémulas nas minhas, erectas. E então a minha voz: "só a
absoluta insensatez é sensata quando te amo".
Pedro Chagas Freitas

