“Dói-me qualquer sentimento que desconheço; falta-me
qualquer argumento não sei sobre o quê; não tenho vontade nos nervos. Estou
triste abaixo da consciência. E escrevo estas linhas, realmente mal-notadas,
não para dizer isto, nem para dizer qualquer coisa, mas para dar um trabalho à
minha desatenção. Vou enchendo lentamente, a traços moles de lápis rombo - que
não tenho sentimentalidade para aparar -, o papel branco de embrulho de
sanduíches, que me forneceram no café, porque eu não precisava de melhor e
qualquer servia, desde que fosse branco. E dou-me por satisfeito.”
Bernardo Soares
Bernardo Soares

