«Se morresses agora, agora mesmo, morrias feliz?
Se morresses agora, agora mesmo, serias feliz para sempre?
Aprende: o tempo não ensina nada.
A única coisa que o tempo ensina é que tens de te pôr a milhas antes de o teu tempo chegar. Ser feliz é, quase sempre, conseguir fugir do que te impede a felicidade antes de o que te impede a felicidade chegar até ti. Tens de ser mais rápido do que a dor, mais rápido do que a precisão, mais rápido do que a insuficiência. Se te falta alguma coisa: falta-te tudo. E tens de te pôr a andar de onde estás – antes que deixes de estar onde estás. E passes a estar onde não queres estar. Onde nunca quiseste estar.
Aprende: o tempo não serve para nada.
A experiência não é um posto; é um imposto. Um imposto que todos os dias tens de pagar, que todos os dias te persegue, que todos os dias te endivida. Há dívidas que só tu podes saldar. E só a felicidade é um posto. Há que ir ao fundo da chuva, ao fundo das lágrimas. Há que perceber que não há momentos felizes – que só há momentos felizes. Agendar a felicidade é matar a felicidade. Dizer “amanhã vou ser feliz” é o mesmo que dizer “agora não sou feliz”. Dizer “ontem fui feliz” é o mesmo que dizer “agora não sou feliz”. Nunca se foi feliz; a felicidade não é um nome comum – nem sequer é um nome. A felicidade é um verbo. E só se conjuga no presente.
Aprende: a única urgência é a do orgasmo.
Há quem lhe chame outras coisas. Mas tudo o que te faz feliz é um orgasmo. Sem um orgasmo, uma hora vivida é uma hora perdida. Todos os minutos merecem um orgasmo. Procura-o. Obsessivamente procura-o. Exige-o. Orgulhosamente exige-o. E nenhum lugar está a salvo de um orgasmo. Se estás tu e o mundo: então podes estar tu e um orgasmo. Basta tu e o mundo para um orgasmo. Tu e o mundo são todo o teu mundo. Tu e o mundo e um orgasmo: eis tudo o que a vida te pode oferecer.
Aprende: não é em “foi bom” que se conta a vida; é em “foi tudo”.
E tu: há quanto tempo não tens tudo?»
Pedro Chagas Freitas
Se morresses agora, agora mesmo, serias feliz para sempre?
Aprende: o tempo não ensina nada.
A única coisa que o tempo ensina é que tens de te pôr a milhas antes de o teu tempo chegar. Ser feliz é, quase sempre, conseguir fugir do que te impede a felicidade antes de o que te impede a felicidade chegar até ti. Tens de ser mais rápido do que a dor, mais rápido do que a precisão, mais rápido do que a insuficiência. Se te falta alguma coisa: falta-te tudo. E tens de te pôr a andar de onde estás – antes que deixes de estar onde estás. E passes a estar onde não queres estar. Onde nunca quiseste estar.
Aprende: o tempo não serve para nada.
A experiência não é um posto; é um imposto. Um imposto que todos os dias tens de pagar, que todos os dias te persegue, que todos os dias te endivida. Há dívidas que só tu podes saldar. E só a felicidade é um posto. Há que ir ao fundo da chuva, ao fundo das lágrimas. Há que perceber que não há momentos felizes – que só há momentos felizes. Agendar a felicidade é matar a felicidade. Dizer “amanhã vou ser feliz” é o mesmo que dizer “agora não sou feliz”. Dizer “ontem fui feliz” é o mesmo que dizer “agora não sou feliz”. Nunca se foi feliz; a felicidade não é um nome comum – nem sequer é um nome. A felicidade é um verbo. E só se conjuga no presente.
Aprende: a única urgência é a do orgasmo.
Há quem lhe chame outras coisas. Mas tudo o que te faz feliz é um orgasmo. Sem um orgasmo, uma hora vivida é uma hora perdida. Todos os minutos merecem um orgasmo. Procura-o. Obsessivamente procura-o. Exige-o. Orgulhosamente exige-o. E nenhum lugar está a salvo de um orgasmo. Se estás tu e o mundo: então podes estar tu e um orgasmo. Basta tu e o mundo para um orgasmo. Tu e o mundo são todo o teu mundo. Tu e o mundo e um orgasmo: eis tudo o que a vida te pode oferecer.
Aprende: não é em “foi bom” que se conta a vida; é em “foi tudo”.
E tu: há quanto tempo não tens tudo?»
Pedro Chagas Freitas

