26 de junho de 2013

«Não faço ideia de quem és mas amo-te até à morte.
São as tuas palavras. Dizes "um dia quero saber o começo do sonho" e eu entendo "um dia quero ser tua até que nem o fim dos ossos nos separe"; ouço as tuas frases como quem ouve a voz do destino, a voz do impreterível. Tens em ti todos os meus sonhos no mundo, a certeza da existência da vida, a convicção de que há algo em nós de insuperável.
Quando me tocas sinto a mão de um estranho e a mão de um pai.
Nunca te soube o que és (nunca ninguém sabe o que alguém é; há uma névoa de gente a cobrir as pessoas; e apenas quem se mostra todo se vive todo), nunca entendi o que te faz decidir o que escolhes, o que te obriga a chorar sempre que algo em ti se acende. E apesar de tudo se me perguntassem quem conheço acima de tudo diria o teu nome. Vivo tão bem dentro do teu vazio que é só nele que me sinto ocupada.
É nos espaços que te desconheço que pouco a pouco me vou conhecendo.
Há quem diga que sou louca por te querer assim, quem diga que viver a tua vida me será a morte. Sabem lá eles o que é o teu colo em dias de lágrimas, o que são os meus ombros quando te desistes de ti. Sempre que cais estou pronta a levantar-me. Temos um código simples que só nós descodificamos: quando me faltar a respiração tapa a minha boca com a tua. Não perguntamos perguntas impossíveis (o mal dos Homens são as perguntas impossíveis; passamos pela vida à procura de respostas e esquecemo-nos de que a felicidade está entre parêntesis, nos pequenos momentos em que estamos a salvo do texto inteiro, da frase absoluta, do parágrafo final), não queremos que haja uma explicação para o que acontece entre as peles. Queremos que o tempo pare com o nosso movimento, e quando nos afastamos é para estarmos prontos para um regresso melhor.
Se um dia morresses morreria de quietude.
De estar parada, de esperar que voltasses, de deitar-me por dentro dos meus olhos como tu por dentro de mim. Se um dia morresses morreria de esquecimento. De me esquecer de comer, de me esquecer de andar, de me esquecer até de falar.
Só existe a linguagem para te amar melhor.»

Pedro Chagas Freitas