“Deixa-me em paz e nunca mais terás sossego.
Preciso de insanidade para me manter equilibrada. E não me interessa a ternura se não tiver o tesão, não me interessa o abraço se não tiver o suor, não me interessa a partilha se não tiver o orgasmo. Preciso de inconsequência para me curar de mim. Desta necessidade de razão, desta dependência de coerência.
Fode-me o corpo para me sustentares a alma.
E não te admito que não me desejes como desejas a mais puta das putas nem te admito que não me protejas como a mais casta das virgens.
Dá-me cabo do corpo para me curares a alma.
Quero o sofá e a calma como quero a cama e o caos. A única paz possível é a do caos controlado que só tu consegues descontrolar. Ou me tiras do sério ou prefiro o adultério. Agarra-me, consome-me, devora-me. Esquece o civismo quando me tiveres nos teus braços. Faz do meu corpo o santuário e o parque de diversões. Brinca comigo para te levar a sério.
Usa-me como o mais reles objecto e só assim me farás especial.
O objecto que é usado e que mesmo assim permanece intocado. É isso o que te exijo: que me faças usada sem deixar de estar intocada. Que me ergas à categoria de virgem mesmo depois de me provares.
E sempre que nos amarmos será a primeira vez.
No dia em que me deres a paz ficarás sem mim. Porque não preciso de um amor que me segure o que vale a pena sentir. Porque o amor existe para que a respiração se extinga, e há que saber arfar para ser feliz.
Fode-me com pressa e ama-me para sempre.
Dá-me minutos por acabar, prazeres por experimentar. Dá-me o primado do corpo por mais que as rugas apareçam e as peles caiam. Dá-me a sensação de que nada se perde quando nos transforma assim.
Ajoelha-te em mim para me manteres submissa.
E quando não houver mais corpo para descobrir chega a hora de inventar novos corpos, o teu e o meu à procura do que nunca foi tocado. Quando não encontrares em mim mais corpo para descobrir fecha os olhos e descobre a minha pele. Vais ver que é nova a cada vez que a tocas.
Quando te ouço gemer ouço a voz de Deus.”
Preciso de insanidade para me manter equilibrada. E não me interessa a ternura se não tiver o tesão, não me interessa o abraço se não tiver o suor, não me interessa a partilha se não tiver o orgasmo. Preciso de inconsequência para me curar de mim. Desta necessidade de razão, desta dependência de coerência.
Fode-me o corpo para me sustentares a alma.
E não te admito que não me desejes como desejas a mais puta das putas nem te admito que não me protejas como a mais casta das virgens.
Dá-me cabo do corpo para me curares a alma.
Quero o sofá e a calma como quero a cama e o caos. A única paz possível é a do caos controlado que só tu consegues descontrolar. Ou me tiras do sério ou prefiro o adultério. Agarra-me, consome-me, devora-me. Esquece o civismo quando me tiveres nos teus braços. Faz do meu corpo o santuário e o parque de diversões. Brinca comigo para te levar a sério.
Usa-me como o mais reles objecto e só assim me farás especial.
O objecto que é usado e que mesmo assim permanece intocado. É isso o que te exijo: que me faças usada sem deixar de estar intocada. Que me ergas à categoria de virgem mesmo depois de me provares.
E sempre que nos amarmos será a primeira vez.
No dia em que me deres a paz ficarás sem mim. Porque não preciso de um amor que me segure o que vale a pena sentir. Porque o amor existe para que a respiração se extinga, e há que saber arfar para ser feliz.
Fode-me com pressa e ama-me para sempre.
Dá-me minutos por acabar, prazeres por experimentar. Dá-me o primado do corpo por mais que as rugas apareçam e as peles caiam. Dá-me a sensação de que nada se perde quando nos transforma assim.
Ajoelha-te em mim para me manteres submissa.
E quando não houver mais corpo para descobrir chega a hora de inventar novos corpos, o teu e o meu à procura do que nunca foi tocado. Quando não encontrares em mim mais corpo para descobrir fecha os olhos e descobre a minha pele. Vais ver que é nova a cada vez que a tocas.
Quando te ouço gemer ouço a voz de Deus.”
Pedro Chagas Freitas

