28 de junho de 2013

“Porta batida não é recolhida.
E a palavra dita. Como regressar de uma palavra dita? “Desculpa.” Desculpa é um bom começo. Pode minorar os estragos, fazer com que seja possível sobreviver por sobre os cacos que a palavra dita provocou. Mas, tal como a porta batida, a palavra dita aconteceu. Existiu. Foi dita e ouvida. Foi dita e sentida. Foi dita e guardada. Pode estar num espaço contíguo ao que faz os passos, um atrás do outro, acontecerem. Mas pode também – é mesmo o máximo que cada pode fazer para aguentar por sobre a palavra dita – ser empurrada para um armazém esconso: para os calabouços do que guardamos em nós.
Porta batida.
Palavra dita.
Prás.”
 
Pedro Chagas Freitas