“Inevitável. A palavra certa é inevitável e lembro-me que
foi essa a palavra que me ocorreu enquanto te abraçava e tu me abraçavas a mim.
Era forçoso que assim fosse, não porque o quisesses tu ou o desejasse eu. Não
porque não te amasse, ou porque não me quisesses tu. Simplesmente tinha de
acabar, de uma forma ou de outra e, sendo assim, antes terminasse com um
abraço. Mas tinha que acabar. São coisas que não se explicam, ou que, tendo
explicação, não podem justificar-se recorrendo às escorreitas equações da
lógica. Eu amo-te, tu amas-me; logo: separámo-nos. Tu vais e eu fico. Sofres tu
e eu sofro também, porque tem mesmo que ser assim e não podia ser de outra
maneira. E, se calhar, tinhas razão – o amor é mesmo para os parvos.”
Manuel Jorge Marmelo
Manuel Jorge Marmelo

