“[…] Um dia talvez compreendam
que cumpri, como nenhum outro, o meu dever-nato de intérprete de uma parte do
nosso século; e, quando o compreendam, hão-de escrever que na minha época fui
incompreendido, que infelizmente vivi entre desafeições e friezas, e que é pena
que tal me acontecesse. E o que escrever isto será, na época em que o escrever,
incompreendedor, como os que me cercam, do meu análogo daquele tempo futuro.
Porque os homens só aprendem para uso dos seus bisavós, que já morreram. Só aos
mortos sabemos ensinar as verdadeiras regras de viver. […]”
Fernando Pessoa

