“Pensas que
nunca te vai acontecer, que não te pode acontecer, que és a única pessoa no
mundo a quem essas coisas nunca irão acontecer, e depois, uma a uma, todas elas
começam a acontecer-te, como acontecem a toda a gente. Fala agora, antes que
seja tarde, e depois espera poder continuar a falar até que não haja mais nada
para dizer. Afinal de contas, o tempo está-se a esgotar. Talvez não seja pior
pores de lado por agora as tuas histórias e tentares passar em revista o que
foi para ti viver dentro deste corpo desde o primeiro dia de que tens memória
de estar vivo até ao dia de hoje. Um catálogo de dados sensoriais. Aquilo a que
se poderia chamar uma fenomenologia da respiração.
[…]
Aí está um
exemplo das várias coisas que nunca poderiam acontecer, mas aconteceram mesmo.”
Paul Auster

