13 de fevereiro de 2013

“A ti. Sei que vais ler.
Todos os dias te procuro. E todos os dias tenho caminhado de frente para o sol, porque sempre que olhar para trás, quero encontrar-te agarrada à minha sombra; gosto de sentir aquele quente, por ser igual ao calor dos teus braços quando te enroscas em mim; adoro sentir-me ofuscado, por uma luz tão intensa como as gargalhadas que soltas quando te ris de mim e para mim. Mesmo sabendo que és só minha, tenho que procurar-te: ter-te só no pensamento, não chega. Quero sentir calor no meu corpo, como se tu mantivesses, constantemente, o teu contra o meu.
Nos dias de chuva, nos de frio e em todos aqueles em que não há sol, refugio-me dentro de casa. Fico à tua espera. À espera que volte o sol para dentro de casa. Enquanto te aguardo há restos de silêncios de ti pela casa. Vão intercalando por entre o ruído das recordações do teu sorriso, dos teus olhar, do teu toque, do teu beijo, do teu timbre de voz… De tudo o que é teu; e de tudo o que consigas imaginar, que se for teu: certamente vai fazer-me falta. A tua presença é mesmo assim: faz-me imensa falta (e tu só saíste à cinco minutos de casa).
Enquanto não regressas, vou acariciar esta folha como se fosse a tua pele, circunscrevendo todo o meu carinho em forma de letras. Delicada e dedicadamente, vou ocupar o espaço em branco desta folha, este espaço tão vazio (como a tua ausência), escrevendo exaustivamente até ao teu regresso: Amo-te. Enquanto não te poder dizer ao ouvido, escreverei exagerada e continuadamente, como se cada vez mais e mais, fosse tão pouco:
Amo-te, Amo-te, Amo-te,…”

Carta n.º 29 | Fernando Aires, Felgueiras