“Não: Não quero nada.
Já disse que não quero nada.
Não me venham com conclusões!
[…]
Que mal fiz eu aos deuses todos?
Se têm a verdade, guardem-na!
[…]
Não me macem, por amor de Deus!
[…]
Se eu fosse outra pessoa,
fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham
paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o
diabo!
Para que havemos de ir juntos?
Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço.
Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu
seja de companhia!
[…]
Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo…
E enquanto tarda o Abismo e o
Silêncio quero estar sozinho!”
Fernando Pessoa

