“Hoje escrevo à mulher inteligente que eu
amo.
Hoje escrevo-te para te dizer que até quando falhas acertas em cheio, que até quando choras tens o sorriso mais lindo do mundo. Hoje escrevo-te para me escrever a mim – para me dizer que sou o cabrão mais abençoado que a terra conhece, o gajo mais feliz que o planeta há-de ser capaz de conhecer. Hoje escrevo-te para te poder dizer o que não sei dizer, o que palavra alguma há-se ser capaz de dizer. Porque não se diz o que nos une, não se diz o que nos somos. Não se diz o que teu olhar diz no meu, o que o meu olhar entra no teu. Não se diz o que te quero dizer. E está tudo dito.
Hoje escrevo-te para te dizer que até quando falhas acertas em cheio, que até quando choras tens o sorriso mais lindo do mundo. Hoje escrevo-te para me escrever a mim – para me dizer que sou o cabrão mais abençoado que a terra conhece, o gajo mais feliz que o planeta há-de ser capaz de conhecer. Hoje escrevo-te para te poder dizer o que não sei dizer, o que palavra alguma há-se ser capaz de dizer. Porque não se diz o que nos une, não se diz o que nos somos. Não se diz o que teu olhar diz no meu, o que o meu olhar entra no teu. Não se diz o que te quero dizer. E está tudo dito.
Hoje escrevo à mulher inteligente que eu
amo.
Hoje escrevo-te para te dizer que é a inteligência o melhor tempero. Que é quando me abres os problemas com as tuas soluções – e não quando me abres as pernas – que realmente me sinto excitado. Que é quando me contas o que te passa na mente – as ideias que te invadem, os sonhos que te enchem, a vida que exiges viver – que definitivamente me sei teu escravo, indecente. Que é pornográfica de tão brilhante a tua cabeça, que é indecoroso de tão belo o que vês para além dos olhos. Hoje escrevo-te para te falar disso – daquilo que és diante daquilo que eu sou. Hoje escrevo-te para te explicar o que é a mulher inteligente. Senta-te, aprecia. E por favor pensa. Nunca pares de pensar. Delícia.
Hoje escrevo-te para te dizer que é a inteligência o melhor tempero. Que é quando me abres os problemas com as tuas soluções – e não quando me abres as pernas – que realmente me sinto excitado. Que é quando me contas o que te passa na mente – as ideias que te invadem, os sonhos que te enchem, a vida que exiges viver – que definitivamente me sei teu escravo, indecente. Que é pornográfica de tão brilhante a tua cabeça, que é indecoroso de tão belo o que vês para além dos olhos. Hoje escrevo-te para te falar disso – daquilo que és diante daquilo que eu sou. Hoje escrevo-te para te explicar o que é a mulher inteligente. Senta-te, aprecia. E por favor pensa. Nunca pares de pensar. Delícia.
Sou doente pela mulher inteligente.
Sou fanático pela mulher inteligente. Sou viciado na inteligência da mulher inteligente. Preciso dela, exijo-a a toda a hora, persigo-a como um cão com fome persegue o osso. Sou obcecado pela mulher inteligente. A mulher inteligente é a criação suprema de Deus. A mulher inteligente é o próprio Deus. A mulher inteligente, suspeito, deve ser mesmo uma forma superior do próprio Deus. Até Deus tem inveja da mulher inteligente. Meu Deus.
Sou fanático pela mulher inteligente. Sou viciado na inteligência da mulher inteligente. Preciso dela, exijo-a a toda a hora, persigo-a como um cão com fome persegue o osso. Sou obcecado pela mulher inteligente. A mulher inteligente é a criação suprema de Deus. A mulher inteligente é o próprio Deus. A mulher inteligente, suspeito, deve ser mesmo uma forma superior do próprio Deus. Até Deus tem inveja da mulher inteligente. Meu Deus.
A mulher inteligente despreza o que a
mulher não-inteligente ama.
A mulher inteligente não quer saber da conta bancária, não quer saber da marca do carro, da maquilhagem na cara. A mulher inteligente veste Prada a cada vez que fala, a cada vez que pensa. A mulher inteligente faz do que é um estilo, do que defende uma lei, do que parece uma moda. A mulher inteligente faz do tesão um estado de alma. A mulher inteligente dá-me tesão. Mmmm.
A mulher inteligente não quer saber da conta bancária, não quer saber da marca do carro, da maquilhagem na cara. A mulher inteligente veste Prada a cada vez que fala, a cada vez que pensa. A mulher inteligente faz do que é um estilo, do que defende uma lei, do que parece uma moda. A mulher inteligente faz do tesão um estado de alma. A mulher inteligente dá-me tesão. Mmmm.
Partilhar a vida com uma mulher
inteligente é a única forma de partilha possível.
Só com ela consigo partilhar, só a ela consigo dizer tudo o que sinto, tudo o que sou. Só ela saberá como eu sei – e depois de pensar um pouco saberá muito melhor do que eu sei – aquilo que eu quero dizer com aquilo que eu estou a dizer. Sim: a mulher inteligente sabe mais do seu homem do que alguma vez o próprio homem saberá. E só um homem burro se sente inferiorizado com uma mulher inteligente. Viver com uma mulher inteligente é um milagre que só mentes pequenas não gozam à grande. Viver com uma mulher inteligente é um privilégio que muito poucos estão à altura de degustar. Não é qualquer um que está à altura de rastejar e de ser rastejado. Viver com uma mulher inteligente não é uma humilhação – é uma diversão, uma animação, um verdadeiro vulcão. E é só dentro de um vulcão que a temperatura aquece. Ai.
Só com ela consigo partilhar, só a ela consigo dizer tudo o que sinto, tudo o que sou. Só ela saberá como eu sei – e depois de pensar um pouco saberá muito melhor do que eu sei – aquilo que eu quero dizer com aquilo que eu estou a dizer. Sim: a mulher inteligente sabe mais do seu homem do que alguma vez o próprio homem saberá. E só um homem burro se sente inferiorizado com uma mulher inteligente. Viver com uma mulher inteligente é um milagre que só mentes pequenas não gozam à grande. Viver com uma mulher inteligente é um privilégio que muito poucos estão à altura de degustar. Não é qualquer um que está à altura de rastejar e de ser rastejado. Viver com uma mulher inteligente não é uma humilhação – é uma diversão, uma animação, um verdadeiro vulcão. E é só dentro de um vulcão que a temperatura aquece. Ai.
A mulher inteligente aquece – as outras
nem aquecem nem arrefecem.
A mulher inteligente é inteligente na pele, nos lábios, nas orelhas, no nariz, no rabo. A inteligência da mulher inteligente alastra-se, contrasta-se. A mulher inteligente lambe como se lesse Dostoiévski, fornica como se citasse Proust, abraça como se tivesse descoberta a cura para a morte. E é: a cura para a morte está em abraçar como se fosse a cura, em fornicar como se fosse Proust, em lamber como se fosse Dostoiévski. A mulher inteligente faz de tudo o que faz um acto inteligente. A mulher inteligente, apesar de ser inteligente comó catano, não deixa de ser selvagem comó catano. Nada é mais selvagem do que a inteligência da mulher inteligente. A inteligência da mulher inteligente é animalesca, anárquica, sedenta, esfomeada, predadora, insaciável. Sem deixar de ser racional, organizada, consolada, vítima, realizada. A mulher inteligente é os dois lados de todo o lado. A mulher inteligente é todo o lado de todos os lados. A inteligência da mulher inteligente não tem rei nem roque – e é por isso que ela é uma rainha, uma estrela, a senhora de todas as senhoras. A mulher inteligente não tem um pingo de vergonha. Mesmo que seja tímida, mesmo que não mostre, de todo, a todos, aquilo que é: a mulher inteligente não tem um pingo de vergonha. É uma desavergonhada da pior espécie, uma descarada sem remédio. A mulher inteligente é a pêga preferida do seu homem – que é, claro está, o único cliente que ela admite na sua inteligência. A mulher inteligente não tem dono nem é dona – mas gosta de mandar e de ser mandada, de saltar e de ser saltada, de dançar e de ser dançada. A mulher inteligente exige ser seduzida a toda a hora – porque tudo o que ela faz, a toda a hora, é seduzir. Até um arroto de uma mulher inteligente seduz – de tão inteligente que é. A mulher inteligente seduz com tudo o que faz, a toda a hora em que o faz, de toda a maneira que o faz. E nada é mais certo do que isso: se a mulher inteligente o faz é porque era assim que tinha de ser feito. Bem feita.
A mulher inteligente é inteligente na pele, nos lábios, nas orelhas, no nariz, no rabo. A inteligência da mulher inteligente alastra-se, contrasta-se. A mulher inteligente lambe como se lesse Dostoiévski, fornica como se citasse Proust, abraça como se tivesse descoberta a cura para a morte. E é: a cura para a morte está em abraçar como se fosse a cura, em fornicar como se fosse Proust, em lamber como se fosse Dostoiévski. A mulher inteligente faz de tudo o que faz um acto inteligente. A mulher inteligente, apesar de ser inteligente comó catano, não deixa de ser selvagem comó catano. Nada é mais selvagem do que a inteligência da mulher inteligente. A inteligência da mulher inteligente é animalesca, anárquica, sedenta, esfomeada, predadora, insaciável. Sem deixar de ser racional, organizada, consolada, vítima, realizada. A mulher inteligente é os dois lados de todo o lado. A mulher inteligente é todo o lado de todos os lados. A inteligência da mulher inteligente não tem rei nem roque – e é por isso que ela é uma rainha, uma estrela, a senhora de todas as senhoras. A mulher inteligente não tem um pingo de vergonha. Mesmo que seja tímida, mesmo que não mostre, de todo, a todos, aquilo que é: a mulher inteligente não tem um pingo de vergonha. É uma desavergonhada da pior espécie, uma descarada sem remédio. A mulher inteligente é a pêga preferida do seu homem – que é, claro está, o único cliente que ela admite na sua inteligência. A mulher inteligente não tem dono nem é dona – mas gosta de mandar e de ser mandada, de saltar e de ser saltada, de dançar e de ser dançada. A mulher inteligente exige ser seduzida a toda a hora – porque tudo o que ela faz, a toda a hora, é seduzir. Até um arroto de uma mulher inteligente seduz – de tão inteligente que é. A mulher inteligente seduz com tudo o que faz, a toda a hora em que o faz, de toda a maneira que o faz. E nada é mais certo do que isso: se a mulher inteligente o faz é porque era assim que tinha de ser feito. Bem feita.
Hoje apetece-me escrever à minha mulher
inteligente e dizer-lhe que tem em si todas as obras-primas da História da
arte.
Hoje apetece-me escrever-te e dizer-te que a vida só existe para que tu possas estar viva. Hoje apetece-me dizer-te, sim, que tudo o que tenho para te dizer já foi dito. Mas que o mais importante do que te quero dizer é o que ficou por dizer. Digo-to ao ouvido daqui a pouco.”
Hoje apetece-me escrever-te e dizer-te que a vida só existe para que tu possas estar viva. Hoje apetece-me dizer-te, sim, que tudo o que tenho para te dizer já foi dito. Mas que o mais importante do que te quero dizer é o que ficou por dizer. Digo-to ao ouvido daqui a pouco.”

