23 de fevereiro de 2013

“Essa miúda é uma fogueira
Que te acende as noites em qualquer lugar
E tu desejas arder com ela
Enquanto bebes o perfume
Que ela deita nos trapos de cor
Para te embriagar

Essa miúda é um exagero
Diz que sem ti não sabe voar
Enquanto inventas espaços novos
Ela vai arquitetando uma teia
P`ra te aconchegar

Essa miúda faz-te acreditar
Que o sol é um presente
Que a aurora traz
Principalmente p`ra ti

Essa miúda é uma feiticeira
Prende-te a mente e põe-se a falar
E tu bem tentas compreendê-la
Mas o que sai da sua boca
Não parece condizer com o que ela
Te diz com o olhar

Essa miúda faz-te acreditar
Que o sol é um presente
Que a aurora traz
Principalmente p`ra ti.”
 
Jorge Palma
"É tempo. É tempo de ainda ires a tempo. Tempo de esqueceres as palavras e seres os que as palavras dizem; tempo de esqueceres os poemas e seres o que os poemas são; tempo de esqueceres as promessas e seres o que as promessas demandam. É tempo de seres palavra, poema e promessa. Porque o tempo, se não sabes deverias saber, apenas se mede em suspiros. Há quanto tempo deste o teu último?"

Pedro Chagas Freitas

"Se me deixares, eu digo
O contrário a toda a gente;
E, neste mundo de enganos,
Fala verdade quem mente.
Tu dizes que a minha boca
Já não acorda desejos,
Já não aquece outra boca,
Já não merece os teus beijos;
Mas, tem cuidado comigo,
Não procures ser ausente:
- Se me deixares, eu digo
O contrário a toda a gente."

António Botto

 
"Tu lhes dirás, meu amor, que nós não existimos.

Que nascemos da noite, das árvores, das nuvens.

Que viemos, amámos, pecámos e partimos

Como a água das chuvas.

 

Tu lhes dirás, meu amor, que ambos nos sorrimos

Do que dizem e pensam

E que a nossa aventura,

É no vento que passa que a ouvimos,

É no nosso silêncio que perdura.

 

Tu lhes dirás, meu amor, que nós não falaremos

E que enterrámos vivo o fogo que nos queima.

Tu lhes dirás, meu amor, se for preciso,

Que nos espreguiçaremos na fogueira."

 
Ary dos Santos
 
"No meu poema ficaste
de pernas para
o ar
(mas também eu
já estive tantas vezes)

Por entre versos vejo-te as mãos
no chão
do meu poema
e os pés tocando o título
(a haver quando eu
quiser)

Enquanto o meu desejo assim serás:
incómodo estatuto:
preciso de escrever-te
do avesso
para te amar em excesso."

Ana Luísa Amaral


 

“Há dias assim
em que acordamos e percebemos tudo
como se tudo nos estivesse imensamente próximo
como se cada dia nascesse e morresse num abraço
como se a vida coubesse num poema.”

José Rui Teixeira

 
"Abraça-me. Quero ouvir o vento que vem da tua pele, e ver o sol nascer do intenso calor dos nossos corpos. Quando me perfumo assim, em ti, nada existe a não ser este relâmpago feliz, esta maçã azul que foi colhida na palidez de todos os caminhos, e que ambos mordemos para provar o sabor que tem a carne incandescente das estrelas. Abraça-me. Veste o meu corpo de ti, para que em ti eu possa buscar o sentido dos sentidos, o sentido da vida. Procura-me com os teus antigos braços de criança, para desamarrar em mim a eternidade, essa soma formidável de todos os momentos livres que a um e a outro pertenceram. Abraça-me. Quero morrer de ti em mim, espantado de amor. Dá-me a beber, antes, a água dos teus beijos, para que possa levá-la comigo e oferecê-la aos astros pequeninos.
Só essa água fará reconhecer o mais profundo, o mais intenso amor do universo, e eu quero que delem fiquem a saber até as estrelas mais antigas e brilhantes.
Abraça-me. Uma vez só. Uma vez mais.
Uma vez que nem sei se tu existes."

Joaquim Pessoa, in 'Ano Comum'
 
 
"Importuna Razão, não me persigas;
Cesse a ríspida voz que em vão murmura;
Se a lei de Amor, se a força da ternura
Nem domas, nem contrastas, nem mitigas.

Se acusas os mortais, e os não abrigas,
Se (conhecendo o mal) não dás a cura,
Deixa-me apreciar minha loucura,
Importuna Razão, não me persigas.

É teu fim, teu projecto encher de pejo
Esta alma, frágil vítima daquela
Que, injusta e vária, noutros laços vejo.

Queres que fuja de Marília bela,
Que a maldiga, a desdenhe; e o meu desejo
É carpir, delirar, morrer por ela."

Bocage


 
"Às vezes, pequenos grandes terremotos
ocorrem do lado esquerdo do meu peito.


Fora, não se dão conta os desatentos.

Entre a aorta e a omoplata rolam
alquebrados sentimentos.


Entre as vértebras e as costelas
há vários esmagamentos.


Os mais íntimos
já me viram remexendo escombros.
Em mim há algo imóvel e soterrado
em permanente assombro."


Affonso Romano de Sant'Anna

 
"Porque é que este sonho absurdo
a que chamam realidade
não me obedece como os outros
que trago na cabeça?

Eis a grande raiva!
Misturem-na com rosas
e chamem-lhe vida."


José Gomes Ferreira

 
"Tu eras também uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali.
A princípio não te vi: não soube
que ias comigo,
até que as tuas raízes
atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca,
floresceram comigo."


Pablo Neruda

 
Minh'alma, de sonhar-te, anda perdida.
Meus olhos andam cegos de te ver.
Não és sequer razão de meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!...

Tudo no mundo é frágil, tudo passa...
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, vivo de rastros:
"Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!..."


 Florbela Espanca

 

21 de fevereiro de 2013

“Morrendo de tédio
Sou levado à distração
Arranhando a superfície da vida
Nada acontece realmente
Mas é fácil manter-se ocupado
Quando você diz a si próprio que está a ir bem.”

Gotye in “Easy Way Out”
 

“Então isso é o fim da história
Tudo o que nós tivemos, tudo o que nós fizemos
Está enterrado no pó
E esse pó é tudo o que ficou de nós

[…]

E a coisa mais triste
Isso tudo podia ter sido evitado
Mas isso era como parar de consumir
Isso era parar de ser humano.”

Gotye in “Eyes Wide Open”
 

20 de fevereiro de 2013

“Onde termina o arco-íris:
na tua alma ou no horizonte?”

Pablo Neruda

“Alheias e nossas as palavras voam.
Bando de borboletas multicores, as palavras voam
Bando azul de andorinhas, bando de gaivotas brancas,
as palavras voam.

Voam as palavras como águias imensas.
... Como escuros morcegos, como negros abutres,
as palavras voam.

Oh! Alto e baixo em círculos e retas acima de nós,
em redor de nós as palavras voam.
E às vezes pousam.”

Cecília Meireles

“Espera-me e eu voltarei,
mas espera-me muito.
Espera-me quando cair a neve
e chegarem as chuvas tristes,
quando chegar o calor,
não deixes de esperar.
Espera-me, quando já
ninguém esperar e se tiver
esquecido já o ontem.
... Espera-me mesmo que as cartas
não cheguem de longe.
Espera-me quando todos
estiverem já fartos de esperar.
Espera-me e eu voltarei,
não ames – peço-te –
quem repetir de memória
que é tempo já de olvidar;
mesmo que mãe e filho julguem
que eu não existo mais.
Deixa que os amigos, ao lume,
se cansem de esperar e bebam
vinho amargo em memória de mim.
Espera-me e não
te apresses a beber com eles.
Espera-me e eu voltarei,
para que a morte se encha de raiva.
O que nunca me esquecer
dirá talvez de mim: coitado, teve sorte.
Jamais compreenderão
aqueles que jamais esperaram.
Tu é que me salvaste do fogo.
De como sobrevivi
saberemos tu e eu,
porque simplesmente me esperaste,
como ninguém me esperou.”

Konstantin Simonov

Do que tomamos por garantido.
(I)

Tinha-te como uma certeza.
Eras
atempadamente
Não te sei por inteiro agora.

(II)

Escrevo penso escrevo
para ver se te encontro
a ti, sem alíneas predicados,
nos teus cuidados de manuseamento atento.

Não sei onde se procura uma certeza que se perde,
uma certeza que se teve por fácil, natural, constitutiva.

Escrevo penso escrevo
para ver se te encontro

com a dor de uma fractura exposta.

(III)

Tinha-te como uma certeza.
Eras.
Eu mesmo faço o teu fogo agora.
É uma explicação o que procuro nos campos.
Medito, a meditação, vi num livro, é melhoria do coração triste, especialmente se acompanhada de infusões de hortelã de água e melissa.
Vi num livro, dos de ler, deve ser facto real
em presença.

(IV
)

A esperança, difícil como todas as procuras,
encarna em mim o fulgor apertado
de todos os testículos do mundo.

Os anjos do altar, às vezes, tossem brandamente.

Não sei exactamente quando deixei de querer.

(V)

Tinha-te como uma certeza.
Eras.
Não te sei por inteiro agora.
Estou ainda aqui de polegar oponível
como quando te conhecia
conto o que sei, as razões de uma falta.

João Vasco Coelho

 
“Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólida...s
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego

Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público

Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contramão atrapalhando o sábado.”

Chico Buarque

“Não tem que ser perfeito, só tem que acontecer.”

in Sweet November

“Diz-me que ponte separa
a tua vida da minha,
em que hora negra, em que cidade chuvosa,
em que mundo sem luz está essa ponte
e eu a passarei.”

Amalia Bautista

“E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.”

Fernando Pessoa

“Entras
em mim descalça, vulnerável
como um alvo próximo, ferida
nos joelhos e nas coxas. Pelo tacto
nos conhecemos, é essa luz
oblíqua que nos cega. E te pertenço
... e me pertences como
a lâmina
à bainha, a chama
ao pavio.”

Albano Martins

“Hoje aviso-te
que ficarei para sempre
arquejando no teu corpo,
na orla infinita da tua mão,
no teu ombro, que é uma espada.
Na tua língua, que é a minha.
... Só o teu coração saberá
se é
promessa ou ameaça,
mas ficarei para sempre
e basta.

E entre os dois – estranhamente -
termina o absurdo território do poder.
Aproximas-te:
água-deserto-mel,
e estendo-me
mel-deserto-água.
Não sei onde começas,
onde começo...
como a dança do golfinho no oceano.”

Lourdes Espínola

“Acompanhada.
É assim que os abraços nos fazem sentir.
Lembras-te que nunca mais te sentiste assim.
E que aquele momento era de ambos, e que não se podia explicar, porque não pertence ao reino das palavras.”

Rodrigo Guedes de Carvalho

“Diz-me um segredo
qualquer coisa inacessível
dessa tua alma

alguma coisa
que eu possa ainda fingir
... que não sei.”

Gil T. Sousa

“Preciso que me olhes nos olhos
Que me dispas em teus lábios
E me conheças, além das palavras

Preciso que me olhes nos olhos
Que me arranques suspiros e tremores
... E teu gosto fique em mim, depois do amor.”


Fernanda Guimarães
 
“Ser doido-alegre, que maior ventura!
Morrer vivendo p'ra além da verdade.
É tão feliz quem goza tal loucura
Que nem na morte crê, que felicidade!

Encara, rindo, a vida que o tortura,
... Sem ver na esmola, a falsa caridade,
Que bem no fundo é só vaidade pura,
Se acaso houver pureza na vaidade.

Já que não tenho, tal como preciso,
A felicidade que esse doido tem
De ver no purgatório um paraíso...

Direi, ao contemplar o seu sorriso,
Ai quem me dera ser doido também
P'ra suportar melhor quem tem juízo.”

António Aleixo

“Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
... É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!”

José Régio


“Talvez sejas
a breve recordação de um sonho
de que alguém (talvez tu) acordou
(não o sonho, mas a recordação dele),
um sonho parado de que restam
apenas imagens desfeitas, pressentimentos.
... Também eu não me lembro,
também eu estou preso nos meus sentidos
sem poder sair. Se pudesses ouvir,
aqui dentro, o barulho que fazem os meus sentidos,
animais acossados e perdidos
tacteando! Os meus sentidos expulsaram-me de mim,
desamarraram-me de mim e agora
só me lembro pelo lado de fora.”

Manuel António Pina

“E de súbito desaba o silêncio.
É um silêncio sem ti,
sem álamos,
sem luas.
Só nas minhas mãos
ouço a música das tuas.”

Eugénio de Andrade

“Deito fora as imagens.
Sem ti, para que me servem
as imagens?

Preciso habituar-me
a substituir-te pelo vento,
... que está em qualquer parte
e cuja direcção
é igualmente passageira
e verídica.

Preciso habituar-me ao eco dos teus passos
numa casa deserta,
ao trémulo vigor de todos os teus gestos
invisíveis,
à canção que tu cantas e que mais ninguém ouve
a não ser eu.

Serei feliz sem as imagens.
As imagens não dão
felicidade a ninguém.

Era mais difícil perder-te,
e, no entanto, perdi-te.

Era mais difícil inventar-te,
e eu te inventei.

Posso passar sem as imagens
assim como posso
passar sem ti.

E hei-de ser feliz ainda que
isso não seja ser feliz.”


Raul de Carvalho
O amor é o momento em que a alma assume que também tem corpo

"A cama por amar. A mulher serviu-se do corpo e nem o corpo se sentiu servido. O prazer é um produto corpóreo da imaginação. Estendeu-se e sentiu-se estendida, na cama em que todo...s os êxtases se vieram. E acreditou. Acreditar é um segundo de prazer. Quis estender a recordação, trazer de volta o que sabia que nunca, na verdade, fora capaz de ter. Imaginou-o no sítio de sempre e foi – respiração parada, como sempre. Sabia que não podia, sabia que não devia, sabia que nem ela a si o recomendaria. E acreditou que tinha tudo o que queria: a esplanada de sempre, a ausência de sempre, o nada ter de sempre, a desgraça de uma dependência de sempre. O prazer é um produto corpóreo da imaginação. Acreditar é um segundo de prazer. Não sabe se foi ele que correu para ela, não sabe se foi ela que correu para ele. Sabe que houve um abraço a meio do caminho – mas nem sabe (como saber o que só se sente?) qual era o caminho. Sabe ainda que ele não disse que a precisava, nem disse que a sentia como ela disse que o sentia. E sabe que aquilo, aquele nada dizer, aquele nada sentir, foi tudo o que precisou de ouvir, foi tudo o que precisou de sentir. Regressou à cama e aos lençóis e encheu-os de saudade em estado líquido. Não chorou mais do que o costume, não se quis mais dele do que o costume. E soube que a felicidade podia muito bem ser apenas aquilo: o homem defeituoso de sempre na realidade imperfeita de sempre. Acreditar é um segundo de prazer."
Pedro Chagas Freitas
“Tenho os olhos feitos à medida da tua cara
e só tenho olhos para ti
quando não estás sou invisível e quase invisual
a visão não me serve de nada
vejo mas sem cor e é pior que a preto e branco
é desfocado
... é esbatido
e sem chama
e sem cheiro
contigo cheira bem
sabe bem.”

João Negreiros

“De que me serviu ir correr mundo,
arrastar, de cidade em cidade, um amor
que pesava mais do que mil malas; mostrar
a mil homens o teu nome escrito em mil
alfabetos e uma estampa do teu rosto
que eu julgava feliz? De que me serviu
...
recusar esses mil homens, e os outros mil
que fizeram de tudo para parar-me, mil
vezes me penteando as pregas do vestido
cansado de viagens, ou dizendo o seu nome
tão bonito em mil línguas que eu nunca
entenderia? Porque era apenas atrás de ti

que eu corria o mundo, era com a tua voz
nos meus ouvidos que eu arrastava o fardo
do amor de cidade em cidade, o teu nome
nos meus lábios de cidade em cidade, o teu
rosto nos meus olhos durante toda a viagem,

mas tu partias sempre na véspera de eu chegar.”

Maria do Rosário Pedreira

“Ainda te falta
dizer isto: que nem tudo
o que veio
chegou por acaso. Que há
flores que de ti
dependem, que foste
... tu que deixaste
algumas lâmpadas
acesas. Que há
na brancura
do papel alguns
sinais de tinta
indecifráveis. E
que esse
é apenas
um dos capítulos do livro
em que tudo
se lê e nada
está escrito.”

Albano Martins

“O amor é uma noite a que se chega só.”

José Tolentino Mendonça




“A nossa história é simples: somos
neste momento todo o amor na terra
e nada mais importa, senão
o que sou, verdade em ti,
o que és, verdade em mim.
Por isso este poema talvez não seja
mais que um silêncio pela noite,
nem verso, nem prosa, só
uma oração ao deus desconhecido.”

Adolfo Casais Monteiro


 

19 de fevereiro de 2013

“Nós temos cinco sentidos:
são dois pares e meio de asas.
- Como quereis o equilíbrio?”

David-Mourão Ferreira

17 de fevereiro de 2013

Sonhos Napolitanos

"Você vai embora e eu ficarei bem,
O resto eu posso sonhar
É apenas um pequeno toque do destino, vai ficar tudo bem
Com certeza leva um tempo precioso, mas tens direitos assim como eu

Viro a minha cabeça em direção ao céu
Concentro-me num pensamento de cada vez
Eu não permito ladrõezinhos sob as minhas mangas fortemente abotoadas
Você não poderia estar só, enquanto me sinto andar às cegas
Não há lugar onde terei tempo

Não há sinais legíveis

Eu gosto do jeito que você fala,
Eu gosto do jeito que você anda.
É difícil recriar um jogo tão particular

Você espera pela sua vez na fila,
Você diz as suas desculpas e os seus "obrigados"
Acho que você nunca está
Cem por cento presente
Você não está presente

Mais profundas, das noites escuras
aqui reside, o maior dos maiores
Sonhos Napolitanos, espalhando-se pelo mar

Você espera pela sua vez na fila,
Você diz as suas desculpas e os seus "obrigados"
Acho que você nunca está
Cem por cento presente
Você não está presente"


Lisa Mitchell



16 de fevereiro de 2013

LADO A LADO


“Somos dois caminhos paralelos

Vamos pela vida lado a lado

Doidos que nós fomos

Loucos que nós somos

Nem sei qual é de nós mais desgraçado

 
 
Lado a lado meu amor mas tão longe

Como é grande a distância entre nós

O que foi que se passou entre nós dois que nos separou

Porque foi que os meus ideais morreram assim dentro de mim


 
Ombro a ombro tanta vez mas tão longe

Indiferença entre nós quem diria

Custa a crer que tanto amor tão profundo amor tenha acabado

E nós ambos sem amor lado a lado

 
 
Fomos no passado um só destino

Somos um amor desencontrado

Doidos que nós somos

Loucos que nós fomos

Não sei qual é de nós mais desgraçado”

 
Donna Maria
 

13 de fevereiro de 2013

“Existem almas que nos fazem acreditar que a alma existe. Nem sequer são as mais geniais, as mais geniais foram aquelas que souberam exprimir-se melhor. São por vezes almas balbuciantes, muitas vezes são almas silenciosas.”
Marguerite Yourcenar