Vicente Jorge Silva, foi o pai da expressão “Geração Rasca” utilizada num editorial por si assinado aquando das manifestações estudantis contra a então Ministra da Educação, Manuela Ferreira Leite. Os estudantes protestavam contra as provas globais no Ensino Secundário. Esta expressão, embora tenha provocado muitas críticas tornou-se, mais tarde, um símbolo de contestação de valores entre gerações. Essa geração transformou-se, mais tarde, na” Geração à Rasca”, o nome dado a um conjunto de manifestações ocorridas em Portugal e outros países.
Essa geração, os que conseguiram constituir uma família, estão hoje a criar os seus filhos que povoam as nossas escolas, as nossas salas de aulas, os nossos recreios…, e eles a “geração rasca e à rasca” têm uma dificuldade incomensurável em deixá-los crescer, aprender sozinhos, tornarem-se autónomos e serem só crianças. Que geração estamos nós a ver surgir? Quem serão os filhos da tal “geração rasca”? O nome por si só não traz bons agoiros. Mas quem são eles, esta nova geração que está a crescer?
Vejamos, os seus pais são muito preocupados, no que diz respeito à segurança das crianças, compram as melhores cadeirinhas para os passear, estão atentos ao seu desenvolvimento cognitivo matriculando-os nas melhores escolas da sua região e fazendo um seguimento exaustivo da sua ainda curta carreira académica, preocupam-se com a sua alimentação tendo em atenção ao que as crianças comem em casa, nas escolas e nos restaurantes de “fast food”, responsabilizam os miúdos pelos seus erros, obrigando-os a pedir desculpa pelos mesmos. Nota-se a ironia, não nota?! ;-)
Agora a falar a sério, que geração estamos nós a criar neste momento? Uma “Geração da Mamã”. Os pais desvinculam-se das suas responsabilidades como pais a partir do momento em que os despejam nas escolas e, por muitas vezes, até se esquecem deles por lá. Temos alguns exemplos divulgados na comunicação social de que até se esquecem dos filhos nos carros… Nunca houve tantas queixas na CPCJ e, obviamente, estes não consegue acompanhar metade dos casos. A escola tem de prestar o serviço de ensinar e educar estas crianças que chegam por lá a fazer birras, sem hábitos, sem terem dormido o tempo necessário, porque ficaram a ver o Panda (depois de uma enorme birra), e os pais exigem dos profissionais de educação, às vezes o impossível, a sua melhor performance. Ficam estes pais admirados quando chamados à escola lhes dizem que os seus magníficos rebentos se portam de forma menos própria. Fazem-lhes as vontades, é vê-los andar com estes novos brinquedos informáticos, navegar nas redes sociais até altas horas, alimentarem-nos com tudo o que tem açúcar e sal em excesso… Enfim!!! Que geração é esta, afinal? Em que é que se vão transformar estas crianças? Sem regras, mimados, dependentes, sem valores incutidos…
Estamos perante uma nova geração que vai ser de irresponsáveis e filhinhos da mamã?
É de facto a “Geração da Mamã”!!!

