28 de janeiro de 2013

“Não me peças palavras, nem baladas, nem expressões, nem alma. Abre-me o seio, deixa cair as pálpebras pesadas, e entre os seios me apertes sem receio.

Na tua boca sob a minha, ao meio, nossas línguas se busquem, desvairadas. E que os meus flancos nus vibrem no enleio das tuas pernas ágeis e delgadas.

E em duas bocas uma língua... — unidos, nós trocaremos beijos e gemidos, sentindo o nosso sangue misturar-se.

Depois... — abre os teus olhos, minha amada! Enterra-os bem nos meus; não digas nada. Deixa a Vida exprimir-se sem disfarce!”

José Régio