28 de janeiro de 2013

"O amor e a obsessão dormem na mesma cama, às mesmas horas; têm os mesmos hábitos, os mesmos desejos, as mesmas ansiedades, os mesmos medos, as mesmas angústias, as mesmas formas de ser; o que decide qual deles acorda primeiro é apenas o barulho que vem de fora – por vezes, há barulhos que inquietam a obsessão e a fazem saltar de mansinho, sem o amor ouvir; outras vezes há barulhos impercetíveis para a obsessão mas que o amor ouve; é esse o amor feliz: um amor que consegue acordar, caminhar, existir, sem ter a companhia da obsessão."

Pedro Chagas Freitas, in " Gotas de Dor"