“As pessoas temem. Por todo o lado, o medo como refúgio final. O medo como refúgio fatal. Uma mulher carrega nos ombros o peso do que não tem e teria de ter. Fecha os olhos. Abre os olhos. E não há maneira de a realidade mudar, e não há maneira de o que não há haver. A criança, no colo, sorri. As crianças sorriem sempre que não sabem o que fazer. E os adultos temem sempre que não sabem o que fazer. Toda a gente, um dia, percebe que não sabe o que fazer. O país perdido em não saber o que fazer. Tentar é o melhor remédio, tentar é sempre o melhor remédio. E a mulher limpa as lágrimas, sorri ao olhar o sorriso da criança que leva no colo. E tenta. Sabe que pode não haver o que desde há muito não há; sabe que a sopa, até ela, pode não haver. Mas sorri ao ver o sorriso da criança que lhe sorri nos braços. Tentar é sempre o melhor remédio. Sobretudo quando não há outro remédio.”

