30 de abril de 2013

“Amar com orgulho é um amor de merda. Amar com altivez é um amor de merda. Amor com orgulho e altivez nem sequer é amar – é degustar. De gostar. De amar é outra coisa. Nem sequer é uma coisa. Amar exige uma capacidade de resistência que poucos têm. Amar exige uma capacidade de resistência que só quem ama tem. Amar exige que ames. O acto de amar – é por isso que se chama amar – exige que se ame quem queres, na prática, amar. Amar exige amar. E amar, factualmente (e de facto), é estar aos pés de que se ama. Mesmo que estejam sujos, mesmo que cheirem insuportavelmente (e amar também é, tantas vezes, suportar) a chulé. Amar é estar aos pés de quem se ama. É ser, se necessário, os pés de quem se ama. Sem merdicas, sem pudores, sem inchaços bacocos: estar aos pés de quem se ama é a única maneira de amar. Se queres ser a mulher que eu vou amar, tens de ser a mulher que eu vou escravizar. E tens de ser, esquece os paradoxos e concentra-te nos felicidoxos, a mulher que me vai escravizar. Escravizar. Estupidamente escravizar. Todos os dias escravizar. Deliciosamente escravizar. Se queres ser a mulher que eu vou amar, tens de estar à altura de rastejar. Por mim, para mim. Até te doerem os joelhos, as costas, os pés e tudo o mais que me der na real gana que tenha de te doer. Eu, deste lado, garanto-te que farei o mesmo. Porque o amor, é por isso que é a única coisa que vale a pena nesta merda desta vida, tem de doer. Mas o não-amor, o quase-amor, o amor de algibeira, o amorzinho ou o amorzeco, dói muito mais. Ai.”

Pedro Chagas Freitas