Existe hoje
um produto que «elimina as rugas de expressão». É anunciado em toda a parte e,
presumo, vende-se bem. Deve ser um progresso extraordinário e muito desejado.
As marcas no
nosso rosto são um diário escrito por outros. Elas dizem-nos o que nos fizeram
e como reagimos. Noutras ocasiões foram escritas pelo acaso, mortal ou benigno,
ou pelos deuses. São, em todo o caso, as marcas da nossa presença no mundo. Da
nossa expressão, literalmente.
O desejo
insaciável de apagar estas marcas faz-me pensar que não nos temos em grande
conta.
Filipe Nunes
Vicente

