2 de julho de 2014

Existe hoje um produto que «elimina as rugas de expressão». É anunciado em toda a parte e, presumo, vende-se bem. Deve ser um progresso extraordinário e muito desejado.
As marcas no nosso rosto são um diário escrito por outros. Elas dizem-nos o que nos fizeram e como reagimos. Noutras ocasiões foram escritas pelo acaso, mortal ou benigno, ou pelos deuses. São, em todo o caso, as marcas da nossa presença no mundo. Da nossa expressão, literalmente.
O desejo insaciável de apagar estas marcas faz-me pensar que não nos temos em grande conta.

Filipe Nunes Vicente